agricultura alternativa e sustentavel
domingo, 26 de agosto de 2012
TOMATE CEREJA
GERAL » Tomate Cereja - Sabor e Rentabilidade no mesmo Produto
O grande diferencial do tomate cereja é ser muito saboroso e adocicado, a ponto de ser consumido como fruta ou como tira-gosto. Enquanto o tomate tradicional possui grau brix entre 4 e 6, as variedades cereja possuem doçura suficiente para chegar entre 9 e 12 graus brix, que indica a concentração de sólidos solúveis totais, principalmente os açúcares. Isso faz toda a diferença e, pelo mundo, esse tomatinho passou a ser consumido como uvas, além de também enfeitar e dar um toque de classe nas saladas.
Potencial produtivo
Para o engenheiro agrônomo Luiz Dimenstein M.Sc.Agr, consultor da Dimesntein Consultoria Ltda, o potencial genético das variedades de tomate cereja, aliado a um tratamento agrotécnico intensivo, garante uma capacidade produtiva de cerca de 1/3 em relação ao tomate comum. "Em campo aberto, sob irrigação localizada por gotejamento, que é o sistema de irrigação mais adequado para o cultivo de tomates, as produtividades podem alcançar de 40 a 60 toneladas por hectare para os tomates cerejas, enquanto podemos chegar entre 120 a 180 toneladas por hectare para os tomates comuns. As variações dependem principalmente do material genético e do método de cultivo, se estaqueado, ou não", explica o consultor.
Há possibilidades de cultivar tomate tutorado em campo aberto e em estufas para as variedades indeterminadas, prolongando o período de cultivo e aumentando as produtividades. Em estufas, pode-se chegar a produtividades entre 130 a 150 toneladas por hectare para os tomates cereja e entre 400 a 450 toneladas para os tomates comuns, desde que se adote o método holandês de cultivo contínuo para variedades indeterminadas e se prolongue o período de cultivo por até 1 ano.
Método Holandês em Estufas
No método holandês, no alto da estufa são esticados cabos ou arames que estarão firmemente presos na estrutura da estufa. O método holandês consiste em um sistema de tutorar, no qual a planta ao atingir a altura máxima da estufa tem a possibilidade de continuar o seu crescimento através de cultivo em uma única haste para variedades de hábito indeterminado.
O tomateiro, por ter seu caule bem flexível, se adapta bem a essa técnica e pode ser cultivado seguindo uma certa inclinação em vez de no sentido vertical tradicional e com ganchos de tutorar com alguns metros de fitilho enrolados. Na primeira etapa, diz Luiz Dimenstein, o fitilho é desenrolado o suficiente para que do alto da estrutura da estufa, o fitilho chegue até o solo, onde a planta é presa ao fitilho, apenas enrolando no caule.
A técnica consiste em cultivar o tomateiro sobre um canteiro de filas duplas, sendo uma fila seguindo uma inclinação em um sentido e a outra fila em sentido oposto. "A planta, ao atingir a altura de 40 centímetros, já se mantém em pé com ajuda de suas próprias raízes, nessa fase se estende o fitilho do alto da estufa, seguindo uma inclinação de 30 graus na mesma fila e 30 graus em sentido contrário na fila oposta, porém no mesmo canteiro. Deve-se dar voltas com o fitilho ao longo do caule, evitando estrangulamento do mesmo", ensina o consultor.
Uma semana antes da colheita do primeiro cacho de tomates, aproximadamente dois meses e meio a três meses após o semeio, devem-se eliminar todas as folhas velhas e secas, deixando o caule próximo ao solo sempre limpo. Nessa ocasião, o fitilho passa a ser liberado e desenrolado do gancho no alto da estufa cerca de 50 cm por semana e, a cada colheita do segundo, do terceiro cachos, a operação se repete, mantendo os cachos em colheita em até um metro do solo, com o acamamento da parte baixa da planta cujo caule deve ser mantido limpo.
Luiz Dimenstein detalha que, após a liberação de cerca de 50 cm de fitilho, o gancho é deslocado e desliza pelo cabo ou arame de tutorar, iniciando um jogo de empurra-empurra com as plantas vizinhas dentro da mesma linha até fazer a curva no final da linha e, então, o gancho é transferido para o cabo da fila do lado que é deslocado em sentido oposto, porém no mesmo canteiro de filas duplas. "Sugiro uma população variável de plantas entre 1700 a 2400 por cada 1.000 m2 de estufa", recomenda Luiz Dimenstein.
Manejo Nutricional
O fator nutricional deve ser considerado com muita seriedade. O sistema de irrigação por gotejamento é fundamental, e este permite a prática da fertirrigação com o fornecimento dos macro e micronutrientes em concentrações adequadas, sem risco de salinização com controle da condutividade elétrica (CE) e do pH na solução do solo. O manejo adequado de fertirrigação permite também efetuar correções nutricionais ao longo do cultivo, com muita rapidez e facilidade como deficiência de cálcio causando o fundo preto nos frutos, além de disponibilizar os nutrientes em geral de modo consistente e eficaz.
"Em campo aberto, como na maioria dos casos no Brasil, temos a opção de utilizar o cultivo sob mulching que garante uma economia de água da ordem de 20 a 25% em relação ao mesmo cultivo com gotejamento sem o mulching. Mulching mais adequado para tomates seria o filme plástico para cobrir o canteiro, com cor preta voltada para baixo e cor branca para cima. Esse mulching também evita disseminação de ervas daninhas próximas aos tomateiros", justifica Luiz Dimenstein.
O tomate cereja deve obedecer algumas regras nutricionais via fertirrigação, ou, mais especificamente, efetuar uma "nutrigação", que seria aplicação de fertilizantes solúveis 100% nutrientes. As principais fontes de Potássio (K) são Nitrato de Potássio e Sulfato de Potássio. As principais fontes de Fósforo (P) são MAP purificado e MKP (Mono Potássio Fosfato). Fontes de Fósforo comuns na versão granulada devem ser evitadas. A adubação de base ou fundação não é necessária.
O consultor diz que o total dos nutrientes deve ser fornecido na versão solúvel. A principal fonte de Cálcio é o Nitrato de Cálcio. Magnésio pode ser fornecido via Nitrato de Magnésio e Sulfato de Magnésio. Nitrogênio, normalmente já vem como nutriente acompanhante em outros fertilizantes nos Nitratos de Potássio, de Cálcio, de Magnésio e como Amônio no MAP purificado. Contudo, se houver necessidade de mais Nitrogênio, pode-se optar por Uréia ou Nitrato de Amônio.
Veja abaixo uma comparação das necessidades de fornecimento dos principais nutrientes, para atingir dois níveis de produtividades estimadas em tomate cereja irrigado em campo aberto, a considerar como exemplos: 40 ou 60 toneladas por hectare, deve-se aplicar esses níveis de nutrientes para alcançar a meta estimada.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
AGRICULTURA ECOLÓGICA
AGRICULTURA ECOLÓGICA
Agricultura Sustentável e Sistemas Ecológicos de Cultivo (Agricultura Química x Agricultura Ecológica)
É necessário esclarecer que existem diferenças entre a agricultura tradicional e a agricultura praticada atualmente. Chama-se agricultura tradicional o conjunto de técnicas de cultivo que vem sendo utilizado durante vários séculos pelos camponeses e pelas comunidades indígenas. Estas técnicas priorizam a utilização intensiva dos recursos naturais e da mão-de-obra direta. A agricultura tradicional é praticada em pequenas propriedades e destinada à subsistência da família camponesa ou da comunidade indígena, com a produção de grande variedade de produtos.
Desde o final da Segunda Guerra Mundial teve início um processo de declínio da agricultura tradicional praticada até então. Na década de 60, começa a ser implantada uma nova agricultura, chamada moderna, que se caracteriza pelo grande uso de insumos externos, utilização de máquinas pesadas, mau manejo do solo, uso de adubação química e biocidas. A agricultura moderna existe há poucos anos e já demonstra o colapso de suas técnicas. Desta forma, não pode ser considerada uma agricultura de fato sustentável, ao contrário da agricultura tradicional, que tem centenas de anos de história e sustentabilidade a longo prazo.
O termo mais adequado para denominar a agricultura praticada atualmente é agricultura moderna, convencional, química ou de consumo. Esta agricultura teve origem a partir de modificações na base técnica da produção agrícola, o que se chamou de modernização, e apresenta conseqüências que demonstram sua insustentabilidade.
O consumo exagerado de insumos externos, ou seja, insumos de fora da propriedade ou de sua região, geralmente são de alto custo e causam a dependência financeira, tecnológica e biológica do produtor. A produção destes insumos não passa pelo produtor e não é influenciada por ele, gerando a dependência financeira e a dominação do fornecedor. Da mesma forma, sua aplicação não é de conhecimento e controle do produtor, de onde vem a dependência tecnológica e, junto com ela, a biológica, no que se refere à manipulação genética e uso de microorganismos.
As sementes tradicionais, que eram selecionadas e utilizadas pelos camponeses ano após ano, estão se perdendo. Hoje, existe apenas uma pequena variedade de plantas em que se consegue obter a mesma produção a cada safra. Em geral, o produtor não consegue mais utilizar a mesma semente, tem que adquirir outras variedades e usar novos insumos. É o que acontece com a semente híbrida, que exemplifica a típica ideologia da agricultura moderna: o consumo permanente.
Na agricultura moderna, tudo que é produzido de dejetos, efluentes ou resíduos é lixo. Estes subprodutos são depositados na natureza, causando grande impacto ambiental. Esta maneira de pensar consumista é uma concepção muito nova, moderna, destruidora, não-regenerativa que reflete a falta de harmonia entre homem e ambiente e a despreocupação com o todo. O mesmo acontece nas cidades. A área onde são construídas as cidades é a mesma em que são colocados os dejetos produzidos por elas. Isto significa o homem poluir a si mesmo.
A utilização de máquinas pesadas também faz parte da ideologia da agricultura moderna. Quanto maiores forem as máquinas, mais tecnologia e status representam. No entanto, estas máquinas têm um alto custo e exigem financiamentos que causam o endividamento do produtor agrícola. Isto não é sustentabilidade. Outro inconveniente do uso de máquinas pesadas é o grande impacto na estrutura do solo e o afastamento do agricultor da terra.
A desestruturação do solo causa a pulverização e compactação da terra. Já o afastamento do agricultor da terra faz com que se perca o contato com a mesma, o diálogo com a natureza e a observação das plantas e animais. Além disto, também possui conseqüências sociais, como a migração do colono para as cidades por causa de financiamentos que acabam comprometendo a propriedade.
O mau manejo e o uso intensivo do solo também provocam desestruturação. Na camada mais superficial, o solo fica desintegrado, pulverizado. Na camada mais profunda, o solo fica compactado pelo uso sistemático de máquinas pesadas. Com o tempo, forma-se uma camada dura e compactada embaixo da terra e uma camada fofa e pulverizada em cima, que, teoricamente, seria o ideal para receber a semente. Estas condições, aliadas à chuva, causam o deslocamento do solo - também chamado de perda de solo anual -, a dificuldade de penetração e fixação das culturas, a dificuldade de trocas químicas, a dificuldade de absorção de água e oxigênio e a intoxicação ou eliminação total da microvida. Este é o custo ambiental da agricultura moderna e do mau manejo do solo.
A adubação química pesada, de alto custo, causa o desequilíbrio fisiológico da planta, o desequilíbrio ecológico do solo e a dependência do agricultor. As plantas possuem um mecanismo de resistência a "pragas" - o termo correto seria "insetos com fome" (Teoria da Trofobiose, de Francis Chaubossou) - que se baseia em seu equilíbrio fisiológico.
As plantas equilibradas não são boas hospedeiras ou bons alimentos para bactérias, fungos, vírus, insetos, nematóides, ácaros. Isto ocorre porque estas plantas apresentam em sua seiva proteínas complexas que não podem ser desdobradas por estes organismos pela falta de enzimas necessárias para a quebra das cadeias de proteínas. Já as plantas desequilibradas por estresse, por aplicação de produtos químicos, por variações de clima, por inadequação da espécie à região, são bons alimentos, pois possuem menor capacidade de metabolização dos aminoácidos livres para transformá-los em proteínas complexas. Desta forma, o inseto dito "praga" tem condições de evoluir, já que os aminoácidos livres são alimento para ele.
O desequilíbrio biológico do solo, causado pela utilização de produtos químicos, afeta microorganismos responsáveis pela disponibilidade de nutrientes importantes para a planta que não consegue absorvê-los através de suas raízes. Desta forma, não existe a colaboração de microorganismos do solo para processamento da matéria orgânnica. Esta microvida está sendo sistematicamente eliminada. Além disso, quando o agricultor trabalha com adubação química constante, cria a necessidade cada vez maior de utilização de nutrientes químicos, ocorrendo sua dependência econômica e cultural.
O uso freqüente e intensivo de biocidas (herbicidas, inseticidas, acaricidas, nematicidas, fungicidas) é uma prática de conseqüências bastante graves. Os adeptos da agricultura moderna não gostam deste termo, mas, na verdade, os biocidas são produtos que matam a vida. Alguns matam ervas, insetos, ácaros, mas se o homem entra em contato com estes produtos também acaba morrendo ou tendo doenças como câncer e degenerações genéticas.
O que fica bem caracterizado dentro do modelo de agricultura moderna é a dependência tecnológica e cultural. A cultura agrícola camponesa, tradicional, vai se perdendo com o tempo, principalmente com o desrespeito ao agricultor e a supervalorização do técnico-cientista, que impõe técnicas importadas, desconhecidas pelo agricultor, assim como acontece com os insumos.
A destruição de alimentos, o consumo exagerado, a insustentabilidade a longo prazo e o balanço energético negativo também são características próprias da agricultura moderna. Dentro das estruturas de transformação de alimentos, a perda e a ineficiência do processo são muito grandes. A destruição de alimentos pode ser observada através das questões de mercado, da estocagem, do transporte e da comercialização.
A agricultura moderna, extremamente consumista, não fecha ciclos, não tem a preocupação de reciclar, de regenerar, de fazer com que o produto retorne para a fonte. Isto é observado nos lixões das cidades. O material orgânico não retorna para a agricultura em forma de adubo e o material mineral - latas, vidros - não retorna para a produção. tudo é consumido ou descartado. O não fechamento de ciclos tem um balanço energético negativo. A sociedade moderna consome mais do que produz.
E isto tem reflexos na insustentabilidade da agricultura moderna. Considerando-se a história da humanidade, este novo modelo de agricultura está em prática há um período muito curto. No entanto, já mostra seu colapso. Deve-se perceber este colapso e encontrar caminhos. Um deles é retomar a agricultura tradicional do camponês, conhecer fundamentos e práticas agrícolas já esquecidas e buscar alternativas sustentáveis para a agricultura.
Como alternativa à agricultura moderna amplamente praticada atualmente, a agricultura ecológica começa a se estender no mundo e no Brasil através de diversas correntes que se diferenciam em alguns pontos, mas possuem princípios comuns. Estas tendências têm origem e precursores diferentes, recebem denominações específicas - Orgânica, Biodinâmica, Natural, Permacultura, Alternativa, Nasseriana -, mas possuem o mesmo objetivo: promover mudanças tecnológicas e filosóficas na agricultura.
Agricultura Orgânica: é a mais antiga e tradicional corrente da agricultura ecológica. Teve origem na Índia e foi trazida por acadêmicos franceses e ingleses, ainda hoje influenciando a sua sistemática de trabalho. A agricultura orgânica é baseada na compostagem de matéria orgânica, com a utilização de microorganismos eficientes para processamento mais rápido do composto; na adubação exclusivamente orgânica, com reciclagem de nutrientes no solo; e na rotação de culturas. Os animais não são utilizados na produção agrícola, a não ser como tração dos implementos e como produtores e recicladores de esterco.
Agricultura Biodinâmica Originária da Alemanha, é baseada no trabalho de Rudolf Steiner. As principais características, além da compostagem, é a utilização de "preparados" homeopáticos ou biodinâmicos, elementos fundamentais na produção que são utilizados para fortalecimento da planta, deixando-a resistente a determinadas bactérias e fungos, e do solo, ativando sua microvida. Os animais são integrados na lavoura para aproveitamento de alimentos, ou seja, aquilo que o animal tira da propriedade volta para a terra. A importação de adubo orgânico não é permitida, pois materiais orgânicos de fora da propriedade ou da região não são adequados por não possuírem a bioquímica, a energia ou a vibração adequada à cultura. Existe a preocupação com o paisagismo, com a arquitetura e com a captação da energia cósmica. A agricultura biodinâmica está baseada na Antroposofia, que prega a importância de conhecer a influência dos astros sobre todas as coisas que acontecem na superfície da terra.
Agricultura Natural: Com origem no Japão, a principal divulgadora desta corrente de trabalho ecológico é a Mokiti Okada Association (MOA). Além da compostagem, utilizam microorganismos eficientes que têm capacidade de processar e desenvolver matéria orgânica útil. Utilizam a adaptação da planta ao solo e do solo à planta. Este é o primeiro passo para a manipulação genética e, conseqüentemente, para a dominação tecnológica, característica semelhante à agricultura moderna, não sendo bem aceita por outras correntes da agricultura ecológica.
Permacultura: Tem origem na Austrália e no Japão e segue o pensamento de Bill Mollison. As principais características são os sistemas de cultivo (sistemas agro-silvo-pastoris) e os extratos múltiplos de culturas. Utilizam a compostagem, ciclos fechados de nutrientes, integração de animais aos sistemas, paisagismo e arquitetura integrados. Na Permacultura não existem tecnologias adequadas ou próprias, mas sim "tecnologias apropriadas". A comunidade tem determinada importância, deve ser auto-sustentável e auto-suficiente, produzindo seus alimentos, implementos e serviços sem a existência de capital. A comercialização deve ser feita através da troca de produtos e serviços.
Agricultura Alternativa: Seus precursores no Brasil foram Ana Primavesi, José Lutzenberger, Sebastião Pinheiro, Pinheiro Machado e Maria José Guazelli. Os princípios desta corrente são a compostagem, adubação orgânica e mineral de baixa solubilidade. Dentro da linha alternativa, o equilíbrio nutricional da planta é fundamental. Aparece, então, o conceito de Trofobiose, que considera a fisiologia da planta em relação à sua resistência a "pragas" e "doenças". Outra característica é o uso de sistemas agrícolas regenerativos, e daí surgiu a agricultura regenerativa, termo defendido por José Lutzenberger. Outras pessoas dentro desta mesma tendência adotaram o termo agroecologia (Miguel Altieri) que possui um cunho político e social. A agroecologia prioriza não só a produção do alimento, mas também o processamento e a comercialização. Esta linha também se preocupa com questões sociais como a luta pela terra, fixação do homem ao campo e reforma agrária.
Nasseriana: É a mais nova corrente da agricultura ecológica e tem como base a experiência de Nasser Youssef Nasr no Estado do Espírito Santo. Também chamada de biotecnologia tropical, defende o estímulo e manejo de ervas nativas e exóticas, a multidiversidade de insetos e plantas, a aplicação direta de estercos e resíduos orgânicos na base das plantas, adubações orgânicas e minerais pesadas. Nasser diz que a agricultura de clima tropical do Brasil não precisa de compostagem, pois o clima quente e as reações fisiológicas e bioquímicas intensas garantem a transformação no solo da matéria orgânica. No Brasil, defende Nasser, o esterco deve ser colocado diretamente na planta, pois esta sabe o momento apropriado de lançar suas radículas na matéria orgânica que está em decomposição, e os microorganismos do solo buscam no esterco os nutrientes necessários para a planta e os levam para baixo da terra. Outro ponto interessante é o uso de ervas nativas e exóticas junto com a cultura para que haja diversidade de inços. Desta forma, é preciso manejar as ervas nativas de maneira que elas mantenham o solo protegido e façam adubação verde. Não temos uma agricultura de solo, mas de sol.
Todas estas diversas correntes e tendências dentro da agricultura ecológica concordam que a agricultura sustentável precisa de alguns princípios básicos para se implantar como tal. O primordial seria o respeito, a observação e o diálogo com a natureza. Um verdadeiro camponês, agricultor, agrônomo ou técnico agrícola deve ter a capacidade de perceber e de entender o que está acontecendo com a planta e com o animal. Isto resulta no uso da natureza a favor da cultura.
Também é importante o aproveitamento de recursos naturais renováveis, a reciclagem de lixo orgânico e de resíduos, a adubação orgânica e a humidificação do solo, a adubação mineral pouco solúvel, o uso de defensivos naturais, o controle biológico e mecânico de insetos e ervas, a permanente cobertura do solo e a adubação verde.
Outras técnicas comuns são a diversificação dos cultivos e dos animais, a consorciação e a rotação de culturas e a não-utilização de agrotóxicos, adubos químicos solúveis e hormônios vegetais ou animais. Com relação a defensivos naturais, alguns são tolerados pela agricultura ecológica. Nenhuma corrente recomenda produtos para controle de insetos, ácaros ou fungos, mas existe a possibilidade de usar extratos e caldas vegetais - piretro, nicotina, retonona, sabadilha -, pó de enxofre, calda bordalesa e sulfocálcica, sulfato de zinco, permanganato de potássio. Estes produtos são usados com pouco ou menor impacto ambiental. Soluções de óleo mineral, querosene e sabão são produtos que podem ser usados, pois não são intoxicantes ou impactantes do meio ambiente.
Assinar:
Postagens (Atom)